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SEPLAG/AL, Superintendência de Orçamento Público

O começo do arco. Fui contratado para projetar receita e acabei construindo o sistema que controla o crédito adicional do Estado. Setembro de 2024 a junho de 2025.

Criei sozinho o SIGOF, que tirou o controle do crédito suplementar do Estado da planilha sem trilha de auditoria. O relatório institucional era redigido à mão todo mês e passou a sair por código, em PDF e em documento editável, e o que levava dias passou a levar minutos. O cálculo do limite legal roda em tempo real sobre treze campos validados por expressão regular de domínio, com detecção de duplicidade e carimbo de autor e horário em cada alteração.

dias → minutos
para emitir o relatório institucional do CPOF
tempo real
cálculo do limite legal, antes refeito à mão a cada pergunta
250
processos reais no estudo de validação

O que eu fui fazer ali

Entrei na Superintendência de Orçamento Público para acompanhar e projetar a receita do Estado. Esse era o cargo. O sistema veio depois, por iniciativa minha, quando ficou claro que o problema ao meu lado era maior que o do meu escopo.

A lei orçamentária de Alagoas para 2025 fixou a despesa em cerca de 18,5 bilhões de reais e autorizou o Executivo a abrir crédito suplementar por decreto até dez por cento desse valor. Cada pedido de crédito entra pelo sistema de processo eletrônico e percorre até vinte e quatro estágios, da análise na superintendência até a publicação em decreto. Quando publicado e contabilizável, ele consome o teto legal.

O que existia antes

Planilha solta, sem trilha de auditoria. Ninguém conseguia dizer com segurança quanto do limite legal já tinha sido consumido sem refazer a conta à mão. E o relatório mensal que ia para a instância decisória era redigido manualmente, todo mês, do zero.

Isso não é lentidão de gente. É um problema de sistema. Controle de teto legal calculado à mão é uma pergunta que precisa de resposta certa, e a resposta certa estava sendo produzida por processo que erra.

O que eu construí

Fiz o SIGOF sozinho, em duas gerações. A primeira foi o núcleo de gestão do processo. Cadastro com treze campos validados por expressão regular de domínio, incluindo número de processo eletrônico, número de decreto, moeda no formato brasileiro e datas restritas ao exercício, com detecção de duplicidade e carimbo de usuário e horário em cada alteração.

Em cima disso, uma tabela com filtros de conjunto, pivô, células coloridas pelas vinte e quatro situações do fluxo e persistência de filtro na sessão. O cálculo do limite legal roda em tempo real e considera só o que está publicado e marcado como contabilizável, excluindo os Poderes e as emendas conforme a própria lei orçamentária manda.

E o relatório institucional passou a sair inteiro por código, em PDF e em documento editável, com base legal citada, comparativo mês a mês, ranking de órgãos por origem de recurso, composição por grupo de natureza de despesa e valores por extenso, com algoritmo próprio para escrever cifras até a casa dos trilhões. O que levava dias passou a levar minutos.

A segunda geração acrescentou uma camada de inteligência econômica. São dez pipelines de dados públicos, de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, produção agropecuária do IBGE, combustíveis e petróleo da ANP e despesa executada da fazenda estadual, gravando em parquet num data lake com deduplicação. Sobre eles roda um boletim de conjuntura gerado por código, com texto analítico escrito por regra determinística, e um painel geoespacial dos 102 municípios.

O que eu faria diferente

A primeira geração usava planilha como camada de escrita. Isso significa nenhuma transação, nenhum controle de concorrência e nenhuma garantia de que duas pessoas salvando ao mesmo tempo não se sobrescrevem. Também não tinha teste automatizado nem integração contínua, e parâmetros de negócio ficavam fixos no código em vez de configuráveis.

Eu sabia de parte disso na época e escolhi entregar. Sistema que existe e é usado ensina mais do que arquitetura correta que nunca sai. Mas o custo apareceu, e a geração seguinte nasceu com banco relacional de verdade, controle de acesso, versionamento de esquema e integração contínua exatamente por causa do que doeu na primeira.

Essa é a resposta que eu daria numa entrevista para a pergunta sobre dívida técnica. Não é hipotética. Eu criei a dívida, convivi com ela e paguei.

O que aconteceu depois

O sistema virou linhagem de produção. Hoje ele existe como produto reescrito em Java com Spring Boot no servidor e React no cliente, com banco relacional, versionamento de esquema, controle de acesso e limite de requisição, e é mantido por uma equipe.

Nessa reescrita eu assino cem por cento dos commits do frontend, cento e sete de cento e sete, mais vinte e três no servidor, e o autor principal do backend é outro desenvolvedor. Esse trabalho é posterior à minha saída da secretaria, então ele não entra na declaração daquele vínculo. Entra aqui porque mostra o que aconteceu com o que eu comecei.

A base de dados iniciada na primeira geração continua sendo a linhagem de produção. Um estudo de validação usa duzentos e cinquenta processos reais como gabarito.

Autoria

As duas gerações do SIGOF são de autoria integral minha. Os 32 commits dos dois repositórios são de uma única conta, a minha, e o crédito nominal está no README e na interface. A reescrita posterior em Java e React é trabalho de equipe, e ali eu respondo pelo frontend inteiro e por parte do servidor. O sistema nasceu de iniciativa própria, fora do escopo do cargo de nomeação. Isso não depende da minha palavra. A Secretaria emitiu declaração de experiência profissional que me nomeia responsável técnico pela concepção, desenvolvimento e implantação do SIGOF, descreve a automação do relatório do CPOF como atividade antes feita à mão, e registra as rotinas de coleta de dados públicos. Ela está no fim desta página, assinada por três signatários via gov.br.

Lastro dos números

Cada número desta página com a fonte que o produziu. Os marcados como relato não foram medidos, e estão declarados como tal.

  • R$ 18,5 bi

    despesa fixada na lei orçamentária de 2025

    medidoLei Estadual 9.454/2025, citada no dossiê seplag-sigof.md

  • 10%

    teto legal de crédito suplementar

    medidolei orçamentária, com Lei Federal 4.320/64 e decreto estadual

  • 24

    estágios do fluxo do processo

    medidodossiê seplag-sigof.md

  • 13

    campos validados por regex de domínio

    medidodossiê seplag-sigof.md

  • 10

    ETLs de dados públicos

    medidoMDIC, IBGE SIDRA, ANP e fazenda estadual

  • 102

    municípios no painel geoespacial

    medidodossiê seplag-sigof.md

  • 107/107

    commits do frontend na reescrita

    medidoperícia git, trabalho posterior ao vínculo

  • 250

    processos reais no estudo de validação

    medidodossiê seplag-sigof.md

  • 3

    signatários na declaração de experiência

    medidodeclaração assinada via gov.br, recebida em 30/07/2026. Declarante, Superintendente de Orçamento Público e Secretário Especial de Planejamento, Orçamento e Governo Digital. Verificável em validar.iti.gov.br com o original.

  • continuidade

    atestada pela própria Secretaria

    medidoa declaração registra que os sistemas e rotinas descritos passaram a integrar a rotina de trabalho da equipe técnica e das instâncias de decisão orçamentária

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